quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Como é que faz, por exemplo, aquele que sabe vingar-se e, de modo geral, defender-se? Quando o sentimento de vingança, suponhamos, se apodera dele, nada mais resta em seu espirito, a não ser este sentimento. Um cavalheiro desse tipo atira-se diretamente ao objetivo, como um touro enfurecido, de cifres abaixados, e somente um muro pode detê-lo. (Aliás, diante de um muro tais cavalheiros, isto é, os homens diretos de ação, cedem terreno com sinceridade.. O muro para eles não é causa de desvio, como por ex, para nós homens de pensamento, e que, por conseguinte, nada fazemos; não é um pretexto para arrepiar carreira, pretexto em que nós outros costumamos não acreditar, mas que recebemos sempre com grande alegria. O muro tem para eles alguma coisa que acalma; é algo que do ponto de vista moral encerra uma solução Um homem direto, é o que eu considero um autentico, normal, como o sonhou a própria mãe natureza, ao cria-lo amorosamento sobre a terra.Invejo um homens desses até o exptremo da minha bilis. Ele é estupido, concordo, mas talvez o homem normal deva ser mesmo estupido, sabeis? O homem da consciencia atrofiada, o homem saído, o que se verifica então, é que este homem de retorta a tal ponto chega a ceder terreno para a sua antitese que a si mesmo se considera, com toda a sua conscuencia hiperatrofiada, um camundongo e não um homem. E o mais importante é que ele mesmo se considera a su mesmo um comundongo. Mas vejamos este camundongo em ação. Suponhamos que ele esteja ofendido (quase sempre está) e queira vingar-se. Considera sua vingança um simples ato de justiça; já o camundongo, em virtude de sua consciÊncia hipertrofiada, nega haver nisso qualquer justiça. Atinge-se enfim a própria ação, o infeliz camundongo já conseguiu acumular, em torno de si, além da torpeza inicial, uma infinidade de outras torpezas, na forma de interrogações e dúvidas; acrescentou a primeiro interrogação tantas outras não resolvidas que foçosamente se acumula ao redor dele certo liguiwo repugnante e fatidico certa lama fétida que consiste suas duvidas, inquietações e, finalmente, nos escarros - que caem sobre ele em profusão dos homens de ação agrupados solenemente ao redor, na pessoa de juizes e ditadores, e que riem dele a mais não poder, com toda a capacidade das suas goelas sadias. Naturalmente, resta-lhe sacudir a patinha em relaçõ a tudo e, com um sorriso de ficticio desprezo, no qual ele mesmo não acredita, esgueirar-se vergonhosamente para a sua fendazinha. (...) e cada vez acrescentará por sua própria conta novos pormenores, e cada vez acrescentará por sua conta novos pormenores, ainda mais vergonhosos, zombando maldoamente de si mesmo e irritandose coma sua própria imaginação. Ele propria se envergonhará de sua própria imaginação, mas assim mesmo, tudo lembrará, tudo examinará, e há de inventar sobre si mesmo fatos inverossimeis, como pretexto de que tambem estes poderiam ter acontecido, e nada perdoará. Possivelmente, começará a vingar-se, mas de certo modo interrompido, com miuçalhas, por trás do fohão, icnógnito, não acreditanto no direito de vingança e sabendo de antemão quer todas estas tentativas de vindita vão fazÊ-lo sofrer com vezes mais que ao objeto da sua vingança, pois este talvez não precise sequer coçar-se. Mas é exatamente neste frigido e repugnante semidesespero, nesta semicrença, neste consciente enterrar-se vivo, por aflição, no subsolo, ... toda esta peçonha dos desejos instisfeitos que penetraram no interior do ser; em toda esta febre de vacilações, das decisões tomadas para sempre e dos arrependimentos que tornama surgir um instante depois, em tudo isto é que consiste o sumo daquele estranho prazer de que falei.

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