domingo, 10 de janeiro de 2010

VI

"Oh, se eu não fizesse nada unicamente por preguiça! Meu Deus, como eu me respeitaria então! Respeitar-me-ia justamente porque teria a capacidade de possuir em mim ao menos apreguiça; haveria, pelos menos, uma propriedade como positiva, e da qual eu estaria certo. Pergunta: quem é? Resposta: um preguiçoso. Seria muito agradável ouvir isto a meu respeito. Significaria que fui definido positivamente; haveria o que dizer de mim. "Preguiçoso!" realmente é título e uma nomeação, é uma carreira. Não brinqueis, é assim mesmo. Seria então, de direito, membro do primeio dos clubes, e ocupar-me-ia apenas em merespeitar incessantemente. Conheci um cavalheiro que, a vida inteira, orgulhava-se com o faro de ser entendido em vinho Laffitte. Ele considerava isso qualidade positiva e nunca duvidava de si. Morreu com a consciencia não só tranquila, mas triunfante até, e tinha toda a razão. E eu poderia, nesta coso, escolher uma carreira para mi,: seria preguiçoso e comilão, não do tipo comum, mas, por exemplo, dos que comungam com tudo o que é belo e sublime. que tal? Há muito que isto me vem à mente. Este "belo sublime" apertou-me com força a base do crânio aos quanta anos; sim, foi aos quarenta, mas agora, oh, agora seria diferente! Imediatamente eu encontraria também o setor correspondente de atividade, ou para ser mais exato: beber à saude de tudo o que é belo e sublime. Eu meagarraria a toda a oportunidade para, em primeiro lugar, verter uma lágrima na minha taça e, a seguir, esvaziá-la em intenção de tudo o que fosse belo (..) Seja o que quiserdes, mas não é agradabilissimo ouvir opiniões assim em nosso século de negação, meus senhores."

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