E então, entre piadas daquelas que só servem para alimentar algo que os unia aqueles amigos tinham um senso comum de que o que sustentava a sociedade era a ironia da qual era na verdade a realidade. Apenas a realidade, que encaramos como/com ironia. E jogaram todas as mochilas pelas janelas do antigo prédio onde cursavam engenharia mecânica, e hoje é local de discussões religiosas e fumam pedaços de papel dos cadernos com o pó de areia que servia o chão como sujeira de casa, e comiam as especies de animais que habitam aquele lugar, aves e roedores asquerosos, se alguém ficar doente, quem come são os pestes dos ratos.
Alguém queria ficar, alguém queria procurar um lugar novo pra ficar, um dizia que era nojento demais ficar alí, o outro jogou sua carteira de identidade junto com a mochila pela janela. E qual teria a razão? Qual a razão de estar jogados em um canto do ultimo andar de um prédio de concreto coberto de restos do que se passou e o que se domina nesse momento? Qual o sentido de ficar ou de sair?
Precisavam decidir o óbvio, de que suas vidas não tinham um sentido completo, de que eram presas das suas escolhas, mas não sabiam para onde ir. Eles pensavam que com certeza qualquer lugar como na faculdade estaria nesse estado de abandono. Todos os pensamentos que se jogavam para além mar nunca mais voltaram, estavam presos ao vácuo, onde o tempo não preenche ainda, talvez a pedra chutada a folha colorida levada pelo vento desse algum sentido, mas ainda não. Esperemos aqui, disse o garoto da carteira de identidade, esperemos para que todas as pessoas saibam que estamos esperando também...
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